Donizete Galvão - Brasil
FORA DE LINHA
para Antônio Nóbrega
Os homens obsoletos foram dispensados como candidatos a recrutas, por excesso de contingente. Os homens obsoletos vagam qual zumbis em praças, parques e estações de metrô. Os homens obsoletos alimentam-se de jornais e engordam nos sofás diante da televisão. Os homens obsoletos cumpriram as exigências: faculdade, inglês e cursos de pós-graduação. Os homens obsoletos mantiveram-se jovens com dietas, ginástica e oficinas de auto-estima. Os homens obsoletos tiveram bloqueados seus crachás, suas senhas e cartões de crédito. Os pais não querem os homens obsoletos. — Ah, quanto dinheiro investido em sua educação! Os amantes não querem amar os homens obsoletos porque estes têm a pele com gosto de ferrugem. O mercado não absorve os homens obsoletos, pois não existe demanda para a exportação. Não há como reciclá-los para que se encaixem nos mutáveis programas de reengenharia. Terapeutas recomendam aos homens obsoletos que ocupem o tempo ocioso nos museus e galerias, nas paróquias ou mesmo em clubes de filatelia. Os homens obsoletos caíram em desuso como os chapéus, as galochas e o jogo de bilboquê.
De Ruminações (1999) poesia.net www.algumapoesia.com.br Carlos Machado, 2007
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Por lobogabriel - 24 de Noviembre, 2007, 9:01, Categoría: poesia
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